Retornos
Eu voltei pro YouTube, será que volto pra cá também? (Tem também indicações ao final)
Esse não tem sido um ano tranquilo. E por isso já começo essa newsletter pedindo desculpas. Eu odeio inconsistência (bom, quem gosta?), mas eu mesma tenho sido uma versão bem marromenos nesse espaço que construímos por aqui.
É um ano de revisão, e eu tô questionando tudo. Tirando tudo que não faz sentido, avaliando conexões, escolhendo muito onde coloco meu tempo e energia, e apesar de ter pouco do primeiro e muito da segunda, no final do dia eu não consigo fazer tudo o que eu quero.
Abrindo essas gavetas todas, eu encarei uma das minhas vontades mais agudas, e que eu mais abafava, por motivos mil (medo sendo o maior deles): voltar a produzir conteúdo pro YouTube. Ligar uma câmera, sentar na frente dela e ficar de papinho sobre literalmente qualquer assunto que me interesse. Eu fiz isso por muitos anos, já têm uns doze que eu publiquei meu primeiro vídeo, e fazia quase seis que não tinha vídeo novo lá. Fazia, no passado, porque uma semana atrás eu publiquei um vídeo novo no meu canal.
Ele é longo, e é por isso que eu gosto do YouTube. Até tem aquelas coisas de gatilho inicial, retenção, como fazer a pessoa ficar, mas a questão é que eu não ligo pra isso e nunca liguei, no meu espaço pessoal eu quero tentar não ligar pra performance e só fazer o que me dá vontade. Dá só pra ouvir também – eu basicamente fico sentada durante o vídeo inteiro, o máximo que você perde são as minhas expressões faciais, e eu sou muito expressiva mesmo.
A ideia é colocar também no Spotify e criar um podcast. Mas como supracitado, tempo é um ativo escasso e eu ainda não consegui fazer essa parte.
Não vou falar muito do vídeo ou do tema dele, porque está lá, está posto. Mas vou dizer que fiquei muito feliz de publicar. E quando eu apertei o botão de Upload, parece que um monte de coisa começou a se mover dentro de mim. Uma coisa meio a abertura do Rá-Tim-Bum1, aquele programa dos anos 90 da Tv Cultura (eu tenho 36 anos and it shows), pela qual eu era fascinada. Um ratinho sobe numa esteira atrás de um queijo e essa ação destrava várias outras em seguida e eu amo muito como tudo é analógico e fico imaginando o trabalhão que deu pra fazer, mas enfim, tô divagando. A questão é que coisas se moveram dentro e fora de mim sem que eu tivesse necessariamente controle, e é por isso que a gente tem que fazer coisas que nos interessam.
Essa newsletter aqui é outra coisa que muito me interessa. E eu tenho pensado muito em como fazê-la mais parte da minha vida. Mais orgânica, menos “precisa ser um texto assim ou assado”. Eu ia até escrever “precisa ser muito bom", mas quem disse que tudo o que eu publico é bom, né?
Como eu faço parte daquele filão de escritores que encontra desculpa o tempo todo pra não escrever, eu me inscrevi num curso de alguém que também enfrenta esse tipo de coisa mas, ao contrário de mim, publica muito: a Marie, da newsletter maravilhosa “Não Prometo Nada"2. O curso se chama “Escreva Todo Dia”, começou na semana passada e eu estou escrevendo todos os dias, de fato. Ela nos manda prompts (comandos, instruções, gatilhos, enfim) diários que nos colocam pra escrever sobre temas e pontos de vista diferentes, até alter egos. Tem sido divertido, e ontem ela mandou o seguinte:
Sete da manhã dum sábado e a gente começa como? Pé no peito, faca na caveira. Pois é.
O fato é que eu escrevi e postei a tal da mensagem no meu instagram fechado (sim, eu tenho um daily para garoutas e gays, e por hora ele tá fechado pra receber gente nova), e gerou um alvoroço, uma comoção, uma coisa assim muito divertida.
E para além disso muitas mensagens reforçando que eu devia escrever mais sobre as minhas historinhas. E eu quero. Realmente minha vida por trás das câmeras é que parece um filme, e, além de gerar muito entretenimento para meu círculo social, é também fonte de muito aprendizado – de verdade rs.
A sugestão das queridas do daily foi trazer pra cá, em formato de contos, na newsletter paga. Um pouco no formato de quando eu viajei de férias e dividi por aqui meus relatos. E uma coisa meio autoficção3, né pessoal. Aliás, tava pesquisando sobre o tema e me deparei com um texto ótimo da Nara Vidal sobre autoficção.4 Recomendo.
Eu gostei, achei que faz sentido, e vou testar. Mas primeiro vou escrever os textos, e volto aqui pra anunciar a novidade oficial. Contei pra fazer charme 😛.
Mentira, é pra saber se vocês gostam da ideia, hehe.
E por último, pra isso não ser um texto só sobre mim, vou listar minhas coisas favoritas dos últimos tempos:
O livro “A Suíça”, da Jen Beagin. Divertidíssimo, mas não só. No meio de tantas coisas absurdas, tem também uma trama de saúde mental, relação entre mãe e filha, cuidado e desejo, muito bem amarrada. Mas o livro não é sobre isso. O livro é sobre uma mulher nos seus 45 anos que transcreve sessões de um terapeuta sexual numa cidade bem pequena onde todo mundo sabe quem é todo mundo. Ah, e tem um quê de Fleabag.
A série “Margo's Got Money Troubles”, com a Elle Fanning, da Apple TV. Eu achei os dois primeiros episódios meio morosos, mas depois engata muito bem. A premissa é meio básica: aluna promissora da universidade engravida e se vê diante do caos de um recém-nascido e muita conta pra pagar. Só isso não me pega muito, mas o interessante é justamente como eles tratam esse tema. E os personagens ao redor, que são muito bem construídos. Os últimos episódios me pegaram muito, a trilha sonora é ótima e a série é visualmente muito bela também.
Outra série legal que vi recentemente: “Big Mistakes", da Netflix, muito muito muito divertida e igualmente irritante. Mas vicia. Eu não sou a maior fã de comédia, acho em geral meio bobo, porém essa mostrou seu valor pra mim. Uma das criadoras é a Rachel Sennot, do maravilhoso “Shiva Baby” (um filme perfeito, se não viu, veja), e também de “I Love L.A.”, outra série que vi no fim do ano passado e gostei muito.
O podcast “Duas e Tanto", das jornalistas & amigas Carol Pires e Marina Dias. Não sei vocês, mas tenho muita dificuldade de acompanhar todas as notícias relevantes na política do nosso país, e elas criaram esse podcast num formato de conversa pra falar dessas manchetes importantes, com aprofundamento e agilidade. Os episódios são curtos, coisa de vinte minutos, e eu gosto muito de como elas explicam as coisas. Não nos tratam como imbecis, mas levam em consideração que muita gente não é versada em politiquês.
Não é exatamente uma coisa, mas eu estou terminando minhas aulas de direção para habilitadas - eu falo disso no meu vídeo! - e isso é uma das coisas mais legais dos últimos tempos. Finalmente me colocar diante desse desejo de dirigir, de ter autonomia, de me levar pra onde eu quiser. A minha professora, Nany, é perfeita, muito competente e muito cuidadosa, e eu indico pra todo mundo.
Apesar de eu querer dirigir há muito tempo, e ter a carteira de habilitação há mais de dois anos, o que me motivou mesmo a ir atrás dessas aulas foi o fato de que esse ano eu vou fazer uma viagem de carro. Sozinha. Em Outro País.
Eu vou porque eu vou mesmo.
Antes era “eu quero fazer uma viagem etc", mas eu comprei as passagens, então eu vou fazer. Não tem mais volta, vem aí.
Newsletter rapidinha, escrita enquanto eu tomo meu café pra ir escalar depois de uma semana de molho em casa por causa de uma gripe fortíssima que eu peguei. Fortíssima pra mim, que nunca fico doente, e ficar em casa uma semana é muita coisa rs.
Um beijo, tô morrendo de saudades.
Com carinho,
Stephanie Noelle.
Autoficção é um gênero literário onde o autor mistura deliberadamente elementos da sua vida real com ficção, usando a primeira pessoa para se colocar como narrador e personagem.



Quando eu estava no final da adolescência assistia todos os seus vídeos no ytb. Adorava acompanhar as reflexões, me lembro super dos cenários e tudo mais. Agora estou com 28, e acho que na época eu tinha 19 pra 20.
"A questão é que coisas se moveram dentro e fora de mim sem que eu tivesse necessariamente controle, e é por isso que a gente tem que fazer coisas que nos interessam." Nuh!